CAJU AMIGO.
Diretamente desta bolinha flutuante q se convencionou chamar mundo, divido com vossas senhorias uma história d bastidores deveras piosa ocorrida em meio às gravações do Zona do Agrião, humorístico esportivo q estreia dia 3/7, no Multishow, com apresentação deste q vos escreve, p/ todo o mundo e adjascências…
Eram 4 dias p/ gravar 12 pgms, 3 pgms/dia, segundo o matemático João de Souza, ele q na verdade é piscineiro. Tudo corria às mil maravilhas, Albertô! Próximo convidado: Paulo César Caju, tricampeão mundial em 70, titular nas copas d 74 e 78, com passagem destacada pelo Botafogo Grill etc e tal. E o dito cujo foi pontual: chegou todo todo no estúdio, impecavelmente vestido, distribuiu sorrisos e promoveu pataquadas diversas com o cabra-da-peste Vampeta, ele q acabava d gravar um vasto cabedal d imagens assaz pitorescas com toda a equipe do diretor Ovídeo Furtado.
Qdo eu e o diretor Ovídeo Furtado nos púnhamos a esmiuçar a proposta do pgm p/ o figura, no intuito d deixá-lo mais à vontade no ambiente, notei uma reação pouco efusiva, senão d desagrado, d estranhamento e desconfiança. O portador d careca lustrosa e cavanhaque afofado parecia ter sérias dificuldades p/ compreender como uma giga-estrela como ele havia sido convidada p/ um pgm esportivo q na realidade é humorístico. Um pgm q parte do formato mesa-redonda-quadrada p/ fazer humor d gente grande, no bom sentido, com uma série d quadros elaborados e, principalmente, pouquíssimos momentos p/ tratar d assuntos reais do futebol.
Tocamos a bola adiante, até o figurinista constrangido, com cara d nádegas, aproximar-se e sugerir ao digníssimo PCC, como quem chama uma criança levada ao banho: “Vamos te vestir?” A q o digníssimo, aí com toda razão, respondeu: “Mas eu já estou vestido!” E resmungou e reclamou q a camisa dele (com um logão da NIKE) era muito mais bonita do q a do figurino. Que era “cor de caju”, completei, sem perceber um possível incômodo.
Logo a seguir, enq eu e o Caju comíamos um amendoim no cenário, mais uma micro-saia-justa: planejando maquiavelicamente pegar o convidado no ruim e velho truque da almofada peidofônica, o diretor Ovídeo Furtado veio caminhando até nós, no canto do estúdio vazio, e cochichou demoradamente no ouvido d um colega bem na ft d nosso ilustre visitante! Mal-estar, azia… Ligeiramente constrangidíssimo, quis assassinar dolosamente o Ovídeo.
Mas o Caju seguia amigo, qdo passamos a falar d futebol e a detonar os esquemas defensivistas q enfeiam nossos gramados sagrados. Nessa linha, em total sintonia com o q ele vinha defendendo, pus-me a enaltecer os times cujos volantes tb sabiam jogar futebol, como nossas seleções em 82 e em 70. Como nasci em 1972, porém, não citei os times d 70, 74 e 78, q ele compunha, e mirei no exemplo d 82, com Telê Santana, Falcão e Cerezzo. E, talvez por isso, o Caju d repente ficou duro. Ao ouvir o esboço inicial d minha tese, já foi enfático: “Isso aí não tem nada a ver!” Tentei concluir meu raciocínio e pedi q ele me ouvisse, mas ele se recusou e -em tom ríspido- emendou q tinha 50 anos d futebol, enq eu (e esse bando d jornalista ignorante) não entendíamos nada do assunto. E, em tom d intimação, o acastanhado me inquiriu: “O q vc sabe d futebol, meu querido?!” E o pgm nem havia começado…
Descrente, respondi q eu era humorista, não jornalista. E q eu talvez não soubesse tanto de futebol, mas entendia d “comunicação, um processo em q a gente fala e ouve”, em referência às dificuldades d audição do polpudo. Pq na comunicação, como no futebol e no sexo, nada ocorre se não houver 2 partes envolvidas, troca, reciprocidade. Foi o bastante p/ a fruta sair d vez da estação! Aperreado, não quis mais me dirigir a palavra e recusou-se a gravar o pgm, deixando na mão 40 pessoas q ali percorriam a segunda d 5 diárias consecutivas d trabalho, em uma maratona infindável d gravações ininterruptas! E argumentou q eu havia quebrado uma hierarquia (imaginária) pela qual toda a verdade sobre o tema futebol estaria restrita a um conselho d notáveis, com ele, o Pelé e o Papa São Bento 16 d Sorocaba!
Pois é, Albertos e Albertas… Não fosse a eficiência e a força mental d todos os envolvidos na empreitada, teríamos sambado bonito graças ao paspalhão d meia tigela! E eu ainda ficaria com fama d ruralista, responsável pela extinção do Caju! No desespero, imaginem, pensei até em ocuparmos a cadeira do cabeça-de-salgadinho com um Caju Amigo, tradicional drink d fama indigesta q, ao menos, não poderia fugir do estúdio d uma hora p/ outra. Por sorte, não foi necessário e o fanfarrão foi substituído com sobras por um atleta d carne e osso, não-pertencente à família (sur)real.
Ãnfãn, diriam os franceses… Fiquei sobremaneira chateado e agora é oficial: nunca mais vou comer caju!
Abs efusivos, bjs no cérebro, MB.